por detrás das paredes

por detrás das paredes

domingo, 20 de setembro de 2009

Primeira crítica na OML



Paredes falantes
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prós / Narração da casa na primeira pessoa
contras / A história podia terminar mais cedo, o desfecho é algo forçado.


Uma estreia fresca e estimulante, a de Alexandra Quadros na literatura, com uma história que, não sendo nova, é contada de forma original. No início, há uma casa. É ela que nos relata a história de uma família, três gerações, com o campo e o verde como cenário. No princípio, há Sol. Sol 
e Raul, unidos por um amor fora dos padrões comuns mas que, apesar disso, não conseguem gerar descendentes e por isso a primogénita foi ela, a narradora, a " Casa do Sol e da Lua". É com paredes como ouvidos, janelas como olhos e o perfume das flores e do vento como sensações que o edifício cimentado a amor começa a desfiar uma história triste. Com o toque do realismo mágico, a fazer lembrar a obra do mestre Gabriel Garcia Márquez e outros autores da literatura latino-americana, "Por Detrás das Paredes" é tão solarengo como sombrio, mas a linha que os separa constitui uma peça consistente. E não é apenas o sui generis discurso directo da moradia que prova a destreza da escrita, são também as analogias que é possível coleccionar ao longo da narrativa. Uma relação estreita entre a natureza e a obra humana onde as flores são omnipresentes. Até porque a história de amor desaba em tragédia de desamores e tudo começa com o nascimento de Antonieta. A flor não tem espinhos mas a personagem sim. Filipa Queiroz

quinta-feira, 10 de setembro de 2009